INSANIDADE COLETIVA: A falsa inerrância científica bíblica

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A falsa inerrância científica bíblica

Recentemente, após a nova onda de crescimento das religiões, especialmente as pentecostalistas, têm ocorrido cada vez com mais frequência tentativas desesperadas por parte de religiosos de salvar a veracidade bíblica a qualquer custo, apelando para argumentos desenvolvidos há décadas e que há muito foram refutados.

Essas pessoas crêem que a evidência de falhas na Bíblia com relação a assuntos científicos seria um golpe duro na fé Cristã, pois deixaria claro que o seu autor que se alega ser Deus não poderia cometer tais erros. Nem sequer consideram a possibilidade de que no contexto temporal no qual a Bíblia foi escrita seria talvez impraticável, mesmo para uma inteligência superior, revelar conceitos físicos impossíveis de serem compreendidos pelos povos antigos, a não ser que se quisesse transformar tal livro num tratado científico.
E então, através de falaciosas afirmações, de sofismas e valendo-se antes de tudo da ignorância alheia, distorcem totalmente a verdade científica e as próprias interpretações das escrituras, forçando uma harmonia completamente forjada e vazia entre a Revelação Bíblica e a Ciência Acadêmica.

Seria mais lógico dizer que a Ciência é que está errada!

Qualquer tentativa de se adaptar a Gênese Bíblica ao pensamento científico coloca a escritura num plano tão simbólico, hermético e abstrato, que é impossível de ser entendido por alguém sem conhecimentos avançados de hermenêutica, física, simbologia e psicologia, afastando o "Livro Sagrado" do entendimento da maioria das pessoas e tornando sua compreensão possível apenas na contemporaneidade.

Teria o autor da Bíblia escrito passagens que só poderiam ser parcialmente compreendidas milênios mais tarde?

Para exemplificar a atitude daqueles que ainda tentam salvar a validade científica da Bíblia, passemos a três questões no campo da Física, baseadas na Bíblia protestante na versão de João Ferreira de Almeida. E embora seja válido lembrar que o ideal seria uma abordagem no texto original em Aramaico, Hebráico e Grego, com amplos recursos de linguística, hermenêutica e exegese, é proveitoso observar entretanto que os apologistas cristãos que defendem a acurácia científica da Bíblia também não o fazem, usando os versículos em qualquer linguagem.

Sendo assim, adentrando o próprio campo de abordagem usado por tais defensores da inerrância Bíblica, procedo minha refutação da alguns dos mais famosos argumentos em prol da sapiência científica atemporal do Livro Sagrado.

Alguns estusiastas afirmam que a Bíblia:
1 - Nunca declarou o Geocentrismo.
2 - Apresenta o conceito de uma Terra esferóide.
3 - E chegaria ao ponto de subentender a Força Gravitacional.

Vejamos o primeiro ponto.

1 - A BÍBLIA É GEOCÊNTRICA!

De fato a Bíblia não declara explicitamente que o Sol gire em torno da Terra, tal afirmação era feita principalmente por alguns filósofos gregos e alexandrinos e sendo assim a Igreja Católica, influenciada por tais visões, e ignorando propostas Heliocentristas que já existiam antes da própria fundação da Igreja de Roma, assumiu tal postura intransigente, declarando o Heliocentrismo como uma heresia.

O erro teria sido então apenas da Igreja e não da Bíblia? NÃO!

Não se pode eximir a Bíblia de responsabilidade a esse respeito. Por mais que se difame a Igreja Católica não se pode negar que houve sábios em suas fileiras, cientistas e filósofos trabalharam por mais de mil anos, dentro de uma visão científica e bíblica da realidade e é graças as interpretações destes, especialmente dos teólogos, que a Igreja era convicta ao Geocentrismo.

A tentativa de conciliar Fé e Razão é muito mais antiga do que muitos atuais entusiastas bíblicos afirmam, e no entanto tal parceria jamais foi bem sucedida no caso da religião cristã tradicional. A postura geocentrista da Igreja é baseada em exautisvas interpretações exegéticas e hermenêuticas da Bíblia, e não seria justo dizer que em mais de um milênio os teólogos tiveram uma interpretação tão errônea.

Sendo assim, a postura da Igreja deve-se principalmente ao fato de que a Bíblia, embora não declare explicitamente o Geocentrismo, baseia-se exatamente nele! Como muitas passagem evidenciam.

Obs: Será usada a Bíblia Evangélica nesta análise, pois são os Protestantes que em geral, têm assumido a postura de defender a validade científica Bíblica. Os Católicos não têm apresentado tal preocupação, mas se observarmos as mesmas passagens na Bíblia Católica, o resultado final tende a ser ainda mais desastroso.

JOSUÉ [10]
"12 Então Josué falou ao Senhor, no dia em que o Senhor entregou os amorreus na mão dos filhos de Israel, e disse na presença de Israel: Sol, detém-se sobre Gibeom, e tu, lua, sobre o vale de Aijalom. 13 E o sol se deteve, e a lua parou, até que o povo se vingou de seus inimigos. Não está isto escrito no livro de Jasar? O sol, pois, se deteve no meio do céu, e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro."

JÓ [9]
"5 Ele é o que remove os montes, sem que o saibam, e os transtorna no seu furor; 6 o que sacode a terra do seu lugar, de modo que as suas colunas estremecem; 7 o que dá ordens ao sol, e ele não nasce; o que sela as estrelas;"

ECLESIASTES [1:5]
"O sol nasce, e o sol se põe, e corre de volta ao seu lugar donde nasce."

Como é possível alguém retirar da leitura de trechos como esse, a idéia de que é Terra e não o Sol que se move?

Todas essas idéias levavam em conta o senso comum que garantia que o Sol é que se movia em torno da Terra, não havia como interpretar de outro modo. Se voltarmos a Gênese, veremos que tendo sido o Sol criado após a Terra, seria muito mais lógico entender que ele é que gira em torno desta, caso contrário Deus teria feito a Terra girando em torno de um vazio, para só posteriormente colocar o Sol em seu lugar.

Há várias referências relativas ao movimento do Sol e da Lua na Bíblia, mas ABSOLUTAMENTE nenhuma em relação a Terra. A própria Lua é tratada de forma semelhante ao Sol no que se refere a sua movimentação, e esta sim gira em torno da Terra.

Para a Bíblia, Lua e Sol são astros quase iguais em tamanho. Tanto que na passagem de Josué o Sol se deteve SOBRE a cidade de Gibeom, e a Lua se deteve SOBRE o vale de Aijalom. Para a Lua isso até poderia fazer sentido, pois ela 8 é vezes menor que a Terra, mas o Sol é mais de 100 vezes maior! Ele não pode estar sobre uma cidade e não sobre outra. A Bíblia considera o movimento e o tamanho aparente dos astros como se eles fossem de fato Luminares que se movem no céu, como diz a:

GÊNESE [1]
"14 E disse Deus: haja luminares no firmamento do céu, para fazerem separação entre o dia e a noite; sejam eles para sinais e para estações, e para dias e anos; 15 e sirvam de luminares no firmamento do céu, para alumiar a terra. E assim foi. 16 Deus, pois, fez os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; fez também as estrelas. 17 E Deus os pôs no firmamento do céu para alumiar a terra,"

É estranho que seja dito que o luminar menor, a Lua, seja feito para governar a noite, uma vez que a Lua também aparece de dia e nem sempre aparece a noite. E repare que o luminar maior, Sol, é visto como um objeto bem menor que a Terra, a ponto de ser "colocado" num firmamento.

A própria inversão de raciocínio entre o quê gira em torno do quê é mal interpretada. A visão geocêntrica declarava que o Sol executava um movimento de Translação em torno da Terra, e hoje sabemos que é ao contrário. Mas na verdade tal ilusão se deve ao movimento de Rotação da Terra.

Em ABSOLUTAMENTE NENHUMA passagem bíblica há qualquer referência ao fato de que a Terra se mova, quer em torno do Sol ou que gire em torno de si mesma. Antes temos o contrário:

SALMOS [96]
10 Dizei entre as nações: O Senhor reina; ele firmou o mundo, de modo que não pode ser abalado. Ele julgará os povos com retidão.

I CRÔNICAS [16]
30 Trema diante dele toda a terra; o mundo se acha firmado, de modo que se não pode abalar.

JÓ [38] 4 Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? Faze-mo saber, se tens entendimento. 5 Quem lhe fixou as medidas, se é que o sabes? ou quem a mediu com o cordel? 6 Sobre que foram firmadas as suas bases, ou quem lhe assentou a pedra de esquina,

Entretanto como se pode ver claramente em várias passagens, fala-se sobre movimentos da Lua e do Sol, porque são óbvios!

No episódio de Josué detendo o Sol, é evidente que para tal possuir qualquer credibilidade não seria o Sol que deveria ser parado, mas sim o movimento de rotação da Terra, fato que nem de longe é sequer suposto pela Bíblia. Além disso a ciência sabe que tal evento resultaria em inumeráveis catástrofes climáticas e geológicas no planeta, que também não são sugeridos na escritura sagrada.

Tal período de paralisação da Terra, quase um "dia" inteiro ou seja, pelo menos 12 horas, seria sem dúvida devastador, resultando inclusive em aumento da gravidade, além de incontestável e óbvio aumento de temperatura, fatos totalmente ausentes na escritura, e teria deixado evidências geológicas.

Seria mais coerente afirmar que a Ciência é que está errada do que dizer que ela concorda com tal possibilidade.

2 - NA BÍBLIA A TERRA É PLANA!

O mais famoso e usado argumento dos defensores da legitimidade científica da Bíblia é sem dúvida o mais falacioso, o de que a Bíblia já afirmava a "redondeza", como alguns gostam de dizer, de nosso planeta.

Baseiam-se principalmente na seguinte passagem:

ISAÍAS [40:22]
"E ele o que está assentado sobre o círculo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; é ele o que estende os céus como cortina, e o desenrola como tenda para nela habitar."

O argumento tenta convencer de que o termo hebráico original pode ser traduzido também por Esfera ou Globo, como algumas traduções menos rigorosas já tem apresentado.

Para início de conversa a Terra não é redonda! É Esferóide, por não ser uma esfera perfeita, Geóide seria o termo mais correto. Afirmar que a Terra é Redonda é bem típico de alguém com pouca rigorosidade a respeito de geometria, baixo rigor este totalmente necessário para aceitar a idéia de que um Círculo pode ser interpretado como uma Esfera.

Círculo é uma figura bidimensional, um polígono de infinitos vértices e infinitos lados.

Esfera é uma figura tridimensional, um poliedro de infinitos vértices e infinitas faces.

Considerando então o restante do versículo, quase sempre omitido pelos apologistas bíblicos, o que combina mais com a idéia de "estender os céus como cortina e desenrolar como tenda"? Faz sentido fazer isso sobre um esfera? Porque então não foi usada uma alegoria similar à que é usada no mesmo livro em

ISAÍAS [22:18] "Certamente te enrolará como uma bola, e te lançará para um país espaçoso. Ali morrerás, e ali irão os teus magníficos carros, ó tu, opróbrio da casa do teu senhor."?

Mas vamos aceitar a hipótese de que tal passagem poderia mesmo se referir a um globo, e nessa suposição, vejamos como as outras passagens da Bíblia que se referem a Círculo poderiam ficar contextualizadas.

PROVÉRBIOS [8]
1 Não clama porventura a sabedoria, e não faz o entendimento soar a sua voz?
...
22 O Senhor me criou como a primeira das suas obras, o princípio dos seus feitos mais antigos.
23 Desde a eternidade fui constituída, desde o princípio, antes de existir a terra.
24 Antes de haver abismos, fui gerada, e antes ainda de haver fontes cheias d'água.
25 Antes que os montes fossem firmados, antes dos outeiros eu nasci,
26 quando ele ainda não tinha feito a terra com seus campos, nem sequer o princípio do pó do mundo.
27 Quando ele preparava os céus, aí estava eu; quando traçava um círculo sobre a face do abismo,
28 quando estabelecia o firmamento em cima, quando se firmavam as fontes do abismo,
29 quando ele fixava ao mar o seu termo, para que as águas não traspassassem o seu mando, quando traçava os fundamentos da terra,
30 então eu estava ao seu lado como arquiteto; e era cada dia as suas delícias, alegrando-me perante ele em todo o tempo;

JÓ [26]
7 Ele estende o norte sobre o vazio; suspende a terra sobre o nada.
8 Prende as águas em suas densas nuvens, e a nuvem não se rasga debaixo delas.
9 Encobre a face do seu trono, e sobre ele estende a sua nuvem.
10 Marcou um limite circular sobre a superfície das águas, onde a luz e as trevas se confinam.
11 As colunas do céu tremem, e se espantam da sua ameaça.

Como podemos ver em Provérbios a Sabedoria narra que já existia enquanto Deus traçava um Círculo sobre a face do abismo, iniciando a construção da Terra evidentemente. Se eu pretendo desenhar um círculo bidimensional num papel, eu posso traça-lo, mas é muito estranho que alguém o faça para construir uma Esfera! Uma forma tridimensional!

Os defensores dessa idéia de que a Bíblia presupunha a esfericidade do planeta omitem uma coisa, a de que a noção primitiva era exatamente de que a Terra era um círculo, plano!

A idéia de uma Terra chata e circular, tal como uma pizza, é muito mais condizente com as passagens anteriores do que a de uma Esfera.

No versículo 29 do Provérbios e no 10 de Jó vemos claramente que havia um Limite para as águas. Por quê?

Por que sem tal limite as águas provavelmente cairiam! No abismo!? Isso precisaria ser sequer cogitado com a idéia de uma Terra esférica? E que naturalmente exigiria uma explicação só fornecida pela força gravitacional?

Há também a clara idéia de que conceitos como cima e sobre, se aplicariam no espaço. Afinal a Terra está sobre o abismo.

Além disso vemos também em Jó e em Amós a palavra Abóbada.

JÓ [22:14]
"Grossas nuvens o encobrem, de modo que não pode ver; e ele passeia em volta da abóbada do céu."

AMÓS [9:6]
"Ele é o que edifica as suas câmaras no céu, e funda sobre a terra a sua abóbada; que chama as águas do mar, e as derrama sobre a terra; o Senhor é o seu nome."

Uma abóbada é uma cúpula, um hemisfério, perfeita para cobrir uma superfície circular tal como a bandeja de uma pizza. O céu seria uma abóbada sobre a Terra, tal como uma tampa hemisférica sobre um círculo plano.

A idéia de tal abóbada, cúpula celeste, não faz o menor sentido numa Terra esférica!

Claro que podemos desconsiderar a abôboda e a substituir por uma "esfera celeste" salpicada de astros, que gira em torno da Terra, como se faziam os eruditos até a Idade Moderna. Isso explicaria o movimento das estrelas, fixas no firmamento, uma vez que a Bíblia nem desconfia de que é a Terra que gira. Isso porém não melhora muito a situação.

JÓ [37:18]
"Acaso podes, como Ele, estender o firmamento, que é sólido como um espelho fundido?"

APOCALIPSE [6:13]
"e as estrelas do céu caíram sobre a terra, como quando a figueira, sacudida por um vento forte, deixa cair os seus figos verdes."

Creio que não seja necessário comentários.

Ainda que os defensores de uma Bíblia condizente com a esfericidade da Terra consigam ignorar tais argumentos, vejamos duas passagens nas quais a idéia de uma terra plana circular é perfeitamente harmônica com a Bíblia.

DANIEL [4]
"10 Eram assim as visões da minha cabeça, estando eu na minha cama: eu olhava, e eis uma árvore no meio da terra, e grande era a sua altura; 11 crescia a árvore, e se fazia forte, de maneira que a sua altura chegava até o céu, e era vista até os confins da terra.
...
20 A árvore que viste, que cresceu, e se fez forte, cuja altura chegava até o céu, e que era vista por toda a terra;"

Esse é o sonho do rei da Babilônia Nabucodonosor, cuja simbologia fora interpretada perfeitamente pelo perspicaz Daniel. Uma Terra plana circular sem dúvida tem um centro, um meio, e qualquer coisa que possua altura suficiente poderia ser vista de todos os pontos deste círculo. Mas faria sentido tal coisa numa Terra esférica?!

Mesmo tal árvore se estendendo ao infinito, quem estivesse na parte oposta do globo terrestre não poderia vê-la!

É claro que tal argumento pode ser sofismado com a alegação que por se tratar de uma profecia baseada num sonho, tal visão não precisaria representar a realidade fisica do mundo. É estranho que um Deus envie uma mensagem utilizando símbolos tão errôneos. Mas se isso não for suficiente veremos que o mesmo erro é cometido novamente numa situação "real", e o pior, dessa vez no Novo Testamento, escrito séculos após Aristóteles deduzir racionalmente a esfericidade do planeta e o próprio princípio da Força Gravitacional.

MATEUS [4:8]
"Novamente o Diabo o levou a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles;"

LUCAS [4:5]
"Então o Diabo, levando-o a um lugar elevado, mostrou-lhe num relance todos os reinos do mundo."

Esses são os relatos dos evangelistas a respeito da tentativa de Satanás de corromper Jesus no deserto.

Voltando ao raciocínio anterior, tal idéia faz sentido numa Terra esférica? Não! Mas numa Terra plana sim.

Por mais alta que fosse a montanha, ainda que maior que o Everest, devido a curvatura do planeta não seria possível ver sequer os reinos próximos ao Oriente Médio como a Pérsia, Egito ou Grécia, que dizer de todos do mundo.

A única saída contra tal argumento é abstrair e apelar para um simbolismo exagerado, aniquilando a originalidade do texto e ferindo mesmo a integridade da Bíblia.

Para completar voltemos a passagem de Eclesiastes.

ECLESIASTES [1]
"5 O sol nasce, e o sol se põe, e corre de volta ao seu lugar donde nasce."

O Sol "nasce", e depois "se põe", fazendo um movimento em arco sobre a "abóbada" celeste. Mas por que o versículo não complementa dizendo apenas que o Sol volta ao seu ponto de origem, o do "nascer", completando um movimento circular em torno do planeta? Por que precisou usar o termo "corre de volta". A idéia que isso sugere é de que ao invés de ele se deslocar de volta ao local de nascimento da mesma forma que se deslocou ao do poente, e no mesmo tempo, o que seria até bastante óbvio, precisa dizer que "corre".

Simples! Por que após se por atrás do horizonte percorrendo a curvatura da abóbada, o sol "corre" por baixo da terra, provavelmente em linha reta! Caso contrário por que deveria se diferenciar o modo de dizer como ele se move de dia ou de noite?

Não há escapatória, quer gostem o não os crentes, a visão da Bíblia é de uma Terra Plana!

O que mais me entristece é a desonestidade de quem usa a passagem de Isaías para impressionar os leigos sem mencionar as outras únicas duas passagens que se referem também a forma da Terra como círculo, mas que deixam claro que não se poderia entender tal círculo por esfera.

Outros chegam a apelar para a idéia de que uma Terra em círculo é superior pelo menos a idéia de uma Terra quadrada. Entretanto nunca houve em qualquer escala notável, uma crença que declarasse uma Terra plana não circular ou no máximo cilíndrica como diziam alguns filósofos gregos.

Tal atitude só pode ser explicada pela ignorância ou pela falsidade!

A visão de mundo da Bíblia é condizente com uma época onde as aparências induziam todos a crer num mundo plano, apesar de que já haviam sábios, contemporâneos da Bíblia por sinal, que sabiam sobre a esfericidade.

3 - A BÍBLIA JAMAIS DESCONFIOU DA FORÇA GRAVITACIONAL!

Os argumentos dos enganadores que tentam empurrar uma Bíblia científicista se baseiam também em afirmar que ninguém, apenas Deus, poderia saber que a Terra era esférica, ignorando ou desprezando sábios como Aristóteles que no terceiro século antes de Cristo, mesma época dos registros arqueológicos confiáveis mais antigos da Bíblia, deduziu por raciocínio lógico a esfericidade do planeta, apenas observando que no limite do horizonte marítimo os navios desapareciam "descendo" a curvatura global, e que a sombra da Terra na Lua era sempre circular, o que numa Terra plana nem sempre seria possível. Ou seja, enquanto afirmam os entusiastas da cientificidade Bíblica que esta demonstrava conhecimento do mundo superior a sua época, os VERDADEIROS FATOS são que ela na verdade tinha uma visão já defasada!

Embora tenha concebido um sistema solar geocêntrico, Aristóteles fez mais, ele solucionou um enigma que para a mentalidade da época era impossível de ser explicado, e do qual a Bíblia evidentemente nem passa perto. Explicou por quê as coisas que estivessem do outro lado do mundo não "caiam" no vazio, que é o que a Bíblia julga que aconteceria com a água se não sofresse um limite estabelecido por Deus. Aristóteles deduziu no terceiro século AC, que todos os objetos eram atraídos para o centro da Terra! Foi o precursor da gravitação.

E mais! Apesar de dizerem que ele errou ao afirmar que a massa dos corpos os levava a cair mais rapidamente, não verdade não houve tal erro, pois como filósofo ele não fazia experiências! Ela apenas deduziu racionalmente que a força de atração da Terra sobre um objeto de maior massa era mais intensa do que sobre uma de massa menor. A Lei da Gravitação Universal é: "Dois Corpos se atraem na razão direta de suas massas e no quadrado do inverso de suas distâncias."

É claro que entre uma folha de papel e um bola de chumbo não somos capazes de perceber essa diferença mesmo no vácuo, afinal em relação à massa da Terra, a massa destes dois corpos é desprezível.

E é sobre essa questão, a da Força Gravitacional, que ocorre o mais débil argumento em defesa da sapiência científica do livro sagrado. Voltando ao mesmo trecho de Jó.

JÓ [26:7]
"Ele estende o norte sobre o vazio; suspende a terra sobre o nada."

Há quem chegue ao ponto de dizer que tal passagem se refira ao campo gravitacional devido a argumentos como o seguinte, apresentado por "teólogos" da Sociedade Torre de Vigília, também conhecidos por Testemunhas de Jeová.

"...Na antiguidade, quando se escreveu a Bíblia, havia muita especulação sobre como a Terra era sustentada no espaço. Alguns acreditavam que a Terra era sustentada por quatro elefantes em pé sobre uma grande tartaruga-do-mar... ( recuso-me a transcrever aqui o raciocínio deturpado que desenvolveram sobre Aristóteles)

A Bíblia, porém, em vez de refletir os conceitos fantasiosos, anticientíficos, prevalecentes na época em que foi escrita, simplesmente declarara (por volta do ano 1473 AEC): "[Deus] suspende a terra sobre o nada." (Jó 26:7) No hebraico original, a palavra para "nada" usada aqui significa "nenhuma coisa", e esta é a única vez em que ela ocorre na Bíblia. O quadro que ela apresenta, da Terra cercada por espaço vazio..."

http://www.watchtower.org/languages/portuguese/library/pr/article_03.htm [Infelizmente (Ou felizmente?) o site da Watchtower decidiu tirar este texto do ar, talvez por ataque de bom senso. Mas coloquei uma cópia para o link acima.]

Comparo esse argumento a alguém que ao comprar um carro usado, desvia o olhar de um pedaço destruído da lataria e insiste em dizer que o carro está em perfeito estado. Pior, quando de repente vê o estrago, diz que isso é exatamente a prova de que o carro está em perfeito estado, pois caso contrário o carro estaria totalmente destruído!

Ele pode até parecer convincente para um leigo ou um racionalmente acomodado, mas não sobrevive a um silogismo. Garante que o fato da Bíblia declarar a Terra suspensa sobre o nada é superior ao da Terra suspensa sobre 4 elefantes e uma tartaruga gigantes. No entando a Terra é suspensa por Deus, da mesma forma que para a mitologia Hindu era suspensa por 4 elefantes e uma tartaruga, e para a mitologia grega era suspensa por Atlas.

E agora a melhor parte, Deus suspende a Terra sobre o Nada! E a tartaruga? Está sobre o quê? Nada! E Atlas? Nada! Não há qualquer vantagem nisso! Se para os Hindus eram precisos animais gigantes ou para os gregos era preciso um titã, para a Bíblia é preciso um Deus! Caso contrário a Terra cairia!

Por quê a Terra precisaria ser suspensa? E ainda mais sobre o nada?

Um garçom precisa suspender uma pizza sobre a mesa, caso contrário ela irá cair. É o mesmo raciocínio da Bíblia.

Os defensores de tal argumento falacioso tentam usar a própria fragilidade do versículo a seu favor, e ainda dizem que o fato de a Terra estar suspensa sobre o nada subentende que essa suspensão se dá devido a força gravitacional!

Se a Terra precisa ser "suspensa", é em relação ao Sol! Para que não "desabe" rumo a ele devido a força de atração, mas o que "suspende", evita tal colisão, é apenas o movimento de translação em torno do Sol, do qual a Bíblia sequer desconfia.

Sendo assim não é a força gravitacional que "suspende" a Terra e sim a energia cinética do movimento de translação, mas é claro que não é sobre isso que a Biblia fala pois sua concepção de mundo é antiga, de que a Terra era um disco plano sustentada por um Deus sobre um abismo ou um nada, coberta por uma abóbada celeste, com um limite demarcado por Deus para que as águas não vazassem para o abismo!

Se tal abismo fosse o espaço em torno da Terra como alguns querem fazer crer, por que se usa "cair" nesse abismo se o mais lógico seria "subir"? Evidentemente a Terra é cercada de Nada por todos os lados, mas na visão bíblica, abaixo deste nada existe um abismo.

DEUTERONÔMIO [33:13]
"De José disse: Abençoada pelo Senhor seja a sua terra, com os mais excelentes dons do céu, com o orvalho, e com as águas do abismo que jaz abaixo;"

Além disso, a maioria dos eruditos na linguagem Hebráica entendem o termo "Abismo" como sendo o Mar, o que torna a interpretação ainda mais absurda, como pode-se ver na idéia de um Universo Aquático, em oposição ao conceito de Abismo como Espaço.

CONCLUINDO

Sobre o que afirmam os pseudo racionalistas que defendem a cientificidade da Bíblia:

1 - Nunca declarou o Geocentrismo?
Explicitamente não. Mas toda a concepção da Terra na Bíblia É Geocentrista!

2 - Apresenta o conceito de uma Terra esferóide?
Não! A Bíblia Apresenta o Conceito de uma Terra Plana!

3 - E chegaria ao ponto de subentender a Força Gravitacional?
Sem comentários!

Escolhi estas 3 questões por que estão interligadas, mas há inúmeras outras passagens na Bíblia que intepretadas literalmente soam como grosseiros "erros científicos", que da mesma forma só podem ser acobertados através de distorções interpretativas. Eis alguns exemplos do que a Bíblia teria a nos ensinar se insistíssemos em vê-la como cientificamente inerrante:

Biologia:
- Manchas e listras no pelo de animais são diretamente determinados por ornamentos no ambiente. GÊNESE [30:35-42]

- Lebres ruminam.
- Há Insetos Alados que andam sobre 4 patas.
- Morcegos são aves.
LEVÍTICO [11]

- O grão de trigo tem que morrer para germinar, se não morrer não germina! JOÃO [12:24]
- O grão de mostarda é a menor de todas as sementes, mas cresce e se torna a maior de todas as hortaliças, e depois se transforma em ávore! MATEUS [13:31-32]

Matemática:
- O valor de PI é 3 exato! I REIS [7:23] II CRÔNICAS [4:2]

Química:
- Ouro enferruja! TIAGO [5:3] E pode ser transparente como vidro! APOCALIPSE [21:21]

Saúde:
- Nascendo um menino, a mãe é considerada imunda por 40 dias, se for menina, imunda por 80 dias. LEVÍTICO [12]
- Sangue de animais sacrificados esterilizam doenças. LEVÍTICO [14]
- A mulher menstruada é tratada como leprosa, tendo que ficar isolada por 7 dias. LEVÍTICO [15]

E isso tudo sem falar em Criacionismo, Dilúvio, Homens Gigantes, Dragões e etc.

MAS A GRANDE QUESTÃO EM SI É:
A evidência de erros científicos na Bíblia invalida sua autoria transcendente?

Em minha opinião, não necessariamente. Mesmo uma inteligência superior utiliza termos e linguagem de uma inferior ao se comunicar com ela. Utilizar conceitos como Heliocentrismo, Esfericidade planetária e Gravidade para explicar a um povo ignorante conceitos éticos, morais e religiosos seria extremamente insensato. Além disso interpretando o texto poética e alegoricamente, todas essas incoerências científicas são esvaziadas, juntamente com qualquer interpretação literal e fundamentalista.

Quem daria importância ao conteúdo moral de uma mensagem que pareceria trazer um absurdo físico?

A não ser que se acrescentasse a Bíblia centenas de outros textos para explicar conceitos científicos revolucionários para a época, que sem dúvida poderiam gerar uma reação de ridicularização ou uma precipitação no desenvolvimento científico de um povo que provavelmente não seria maduro para lidar com tal conhecimento.

É por isso que acredito que a Bíblia não necessita dessas tentativas vãs que tentam lhe atribuir exatidão científica.

Minha intenção aqui não foi de forma alguma combater a Bíblia, ela é uma obra literária que merece todo o nosso respeito como patrimônio cultural da humanidade, mas sim a atitude desonesta e covarde daqueles que se valem da ignorância alheia para impressionar e seduzir outras pessoas a uma fé que talvez não lhe seja vocativa.

Meu compromisso é contra a Mentira e a Ignorância!

Pessoalmente acredito que possa haver passagens da Bíblia que tenham emanado de uma inteligência superior, não são todas, e acho que nem sequer a maioria. O tema do Evangelho é revolucionário, ousado e de uma beleza e profundidade realmente incompatíveis para o ambiente em que foi pregado.

O Salmos é de uma poética impressionante, traz passagens belíssimas, assim como os Provérbios e outros dos livros poéticos.

A Gênese é riquíssima em símbolos preciosos sobre a psique humana, com um conteúdo que sem dúvida ajuda a compreender nuances culturais históricas e psicológicas.

E agora me desculpem os crentes, mas Êxodo, Deuteronômio, Josué, Juízes e alguns outros apresentam um Deus simplesmente psicótico e perverso, além de que o programa de saúde do Levítico é de uma ignorância digna de seu tempo.

Não posso negar a possibilidade lógica da intervenção de uma inteligência espiritual transcendente na Bíblia, da mesma forma que no Corão, no Mahabarata, no Zend Avesta, no Rig Veda, no Tao Te King, no Pistis Sophia, na Cabala e etc.

Se alguém recebesse uma mensagem emanada de um plano superior não creio que tal mensagem seria literal e explícita, mas sim viria intuitivamente, o conteúdo principal desta mensagem no caso de um caráter Ético fica intacto apesar de sua forma variar, mas todos os demais detalhes simbólicos podem ser adaptados a cultura do local e época.

Eu não acredito na inspiração divina na Bíblia, como pode-se ver em meu texto É a Bíblia Divinamente Inspirada?, mas como filósofo não posso negar tal possibilidade lógica. Porém para aqueles que acreditam, tentar usar argumentos da cientificidade inerrante destrói a própria possibilidade.

A falta de criatividade dos defensores da cientificidade da Bíblia parece impedí-los de construir argumentos que poderiam eliminar a discussão, sem prejuízo significativo tanto para o livro sagrado, para as religiões que nele se baseiam e para a Ciência.

Se eu fosse um teólogo cristão convicto criaria argumentos mais sutis, como por exemplo: No caso da passagem da Isaías 40:22, de que talvez o que o profeta tenha intuido, captado do plano superior, fosse a imagem ou a idéia do globo terrestre, mas sua mentalidade marcada pela concepção de uma Terra plana circular o fez descrevê-la desse modo. Ou talvez sua essência, alma ou seja lá o que for tivesse sido elevada as alturas do espaço onde ele pode ver a Terra "redonda", mas esta evidentemente lhe pareceu um círculo. Isso não prejudicaria o demais conteúdo moral e doutrinário.

Mas prefiro aplicar minha inteligência em algo mais construtivo, e confiante não em minha habilidade argumentativa, mas sim na simples auto evidência da "Errância" Bíblica quando forçada em questões científicas, desafio qualquer um a me refutar com relação a esses argumentos.

4 comentários:

Fabenrik disse...

Texto muito lúcido, me senti um ignorante e fundamentalista ateu, lendo esse texto, gostei muito, me fez refletir bastante...

Darlisson disse...

É, o texto é bom mesmo, embora não gosto muito de me apegar a trechos e ficar passando na cara de crentes, mas, é preciso entender do que se fala para poder argumentar e não só ficar no blá blá blá... XD

Rodolfo Plata disse...

BREVE CRÍTICA AL PROFETISMO JUDÍO DEL ANTIGUO TESTAMENTO: La relación entre la fe y la razón expuesta parabolicamente por Cristo al ciego de nacimiento (Juan IX, 39), nos enseña la necesidad del raciocinio para hacer juicio justo de nuestras creencias, a fin de disolver las falsas certezas de la fe que nos hacen ciegos a la verdad mediante el discernimiento de los textos bíblicos. Lo cual nos exige criticar el profetismo judío o revelación para indagar la verdad que hay en los textos bíblicos. Enmarcado la crítica al profetismo judío en el fenómeno espiritual de la trasformación humana, abordado por la doctrina y la teoría de la trascendencia humana conceptualizadas por los filósofos griegos y sabiduría védica, instruida por Buda e ilustrada por Cristo; la cual concuerda con los planteamientos de la filosofía clásica y moderna, y las respuestas que la ciencia ha dado a los planteamientos trascendentales: (psicología, psicoterapia, logoterápia, desarrollo humano, etc.), y utilizando los principios universales del saber filosófico y espiritual como tabla rasa a fin de deslindar y hacer objetivo “que es” o “no es” del mundo del espíritu. Método o criterio que nos ayuda a discernir objetivamente __la verdad o el error en los textos bíblicos analizando los diferentes aspectos y características que integran la triada preteológica: (la fenomenología, la explicación y la aplicación, del encuentro cercano escritos en los textos bíblicos). Vg: la conducta de los profetas mayores (Abraham y Moisés), no es la conducta de los místicos; la directriz del pensamiento de Abraham, es el deseo intenso de llegar a tener una descendencia numerosísima y llegar a ser un país rico como el de Ur, deseo intenso y obsesivo que es opuesto al despego de las cosas materiales que orienta a los místicos; es por ello, que la respuestas del dios de Abraham son alucinaciones contestatarias de los deseos del patriarca, y no tienen nada que ver con el mundo del espíritu. La directriz del pensamiento de Moisés, es la existencia de Israel entre la naciones a fin de llegar a ser la principal de todas, que es opuesta a la directriz de vida eterna o existencia después de la vida que orienta el pensamiento místico (Vg: la moradas celestiales, la salvación o perdición eterna a causa del bien o mal de nuestras obras en el juicio final de nuestra vida terrenal, abordadas por Cristo); el encuentro cercano descrito por Moisés en la zarza ardiente describe el fuego fatuo, el pie del rayo que pasa por el altar erigido por Moisés en el Monte Horeb, describe un fenómeno meteorológico, el pacto del Sinaí o mito fundacional de Israel como nación entre las naciones por voluntad divina a fin de santificar sus ancestros, su pueblo, su territorio, Jerusalén, el templo y la Torah; descripciones que no corresponden al encuentro cercano expresado por Cristo al experimentar la común unión: “El Padre y Yo, somos una misma cosa”, la cual coincide con la descrita por los místicos iluminados. Las leyes de la guerra dictadas por Moisés en el Deuteronomio causales del despojo, exterminio y sometimiento de las doce tribus cananeas, y del actual genocidio del pueblo palestino, hacen evidente la ideología racista, criminal y genocida serial que sigue el pueblo judío desde tiempos bíblicos hasta hoy en día, conducta opuesta a la doctrina de la no violencia enseñada por Cristo __ Discernimiento que nos aporta las suficientes pruebas objetivas de juicio que nos dan la certeza que el profetismo judío o revelación bíblica, es un semillero del mal OPUESTO A LAS ENSEÑANZAS DE CRISTO, ya que en lugar de sanar y prevenir las enfermedades del alma para desarrollarnos espiritualmente, enerva a sus seguidores provocándoles: alucinaciones, cretinismo, delirios, histeria y paranoia; propiciando la bibliolatría, el fanatismo, la intolerancia, el puritanismo hipócrita, el sectarismo, e impidiendo su desarrollo espiritual. http://www.scribd.com/doc/33094675/BREVE-JUICIO-SUMARIO-AL-JUDEO-CRISTIANISMO-EN-DEFENSA-DEL-ESTADO-LA-IGLESIA-Y-LA-SOCIEDAD

Darlisson disse...

Pero que sí, pero que no...