INSANIDADE COLETIVA: A bíblia e a moralidade

terça-feira, 13 de abril de 2010

A bíblia e a moralidade

Muito se fala a respeito da moralidade cristão. Se você não acredita em deus, como vai ser bom? Essa é a grande falácia. Em Deus um delírio [The God Delusion] de Richard Dawkins, aborda de uma maneira bem direta e de fácil compreensão a cerca dessa questão. O fato é, que a bíblia é tratada como um poço de moralidade, o "Guia de sobrevivência" segundo Tito (apresentador do programa Na Mira Da Verdade, da rede Novo Tempo), mas que por si só é completamente contraditória. Navegando pela net a fora, encontrei esse comentário, de um blogueiro tratando dessa questão. A bíblia é um bom exemplo moral?


Não, a Bíblia não é um exemplo de moral. Pessoas que dizem que baseiam seu comportamento e bons costumes na Bíblia estão mentindo.

Vou agora mostrar o porquê.

Antes, uma pergunta. Se vocês tivessem três convidados em casa, e uma multidão enfurecida chegasse à porta da tua casa e dissesse:

- Meu, manda estes caras aí para fora que a gente quer o brioco deles para nós.

Eu diria:

- Vão se catar. A casa é minha, são meus convidados e venham pegar eles aqui dentro se vocês quiserem.

Pois Ló, um dos escolhidos de Deus, não pensa assim. Vejam o que está descrito em Gênesis 19, 5-8:

E chamaram a Ló, e disseram-lhe: Onde estão os homens que a ti vieram nesta noite? Traze-os fora a nós, para que os conheçamos.
Então saiu Ló a eles à porta, e fechou a porta atrás de si,
E disse: Meus irmãos, rogo-vos que não façais mal;
Eis aqui, duas filhas tenho, que ainda não conheceram homens; fora vo-las trarei, e fareis delas como bom for aos vossos olhos; somente nada façais a estes homens, porque por isso vieram à sombra do meu telhado.

Quem, em sã consciência, oferece as filhas para a sacrifício gratuitamente, em vez de honrá-las como deve ser?

Aliás, não devemos julgar apenas este ato de Ló. Ainda no mesmo capítulo, versículos 30-36, ficamos sabendo que estas garotas embebedam seu pai, para dele gerar seus filhos. É, incesto é algo permitido por Deus, pois nenhum destes personagens sofreu represálias após cometer o ato.

Mas há outra passagem que adoro e que mostra, principalmente, que Deus não é um cara lá muito paciente. Está em 2 Reis 2, 23-24:

Então subiu dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho, uns meninos saíram da cidade, e zombavam dele, e diziam-lhe: Sobe, calvo; sobe, calvo!
E, virando-se ele para trás, os viu, e os amaldiçoou no nome do SENHOR; então duas ursas saíram do bosque, e despedaçaram quarenta e dois daqueles meninos.

Deus fez com que duas ursas matassem 42 crianças porque elas estavam chamando um cidadão careca de… calvo. Nem calúnia era.

Creio que estes dois exemplos de atitudes tomadas por personagens bíblicos que não foram repreendidas por Deus são bastante imorais para nossos padrões atuais.

Aliás, o próprio Deus não fica muito atrás. De acordo com o antigo testamento, ele promoveu grandes genocídios, dentre eles:

  1. Dilúvio: Deus não estava contente com os humanos e decidiu exterminar todos. Antes, pediu ordenou a Noé que construísse um arca onde pudesse abrigar sua família e um casal de cada tipo existente de animal. Além do fato de que deve ter sido bem complicado para Noé encontrar um casal de ursos polares no deserto (a não ser que houvesse experiências da Dharma por lá), eu penso o que os pobres animais que morreram tinham a ver com os pecados dos humanos.
  2. Sodoma e Gomorra: até hoje não se sabe se a destruição das cidades de Sodoma, Gomorra, Admá, Zebolim e Bela com fogo e enxofre descido dos céus de deveu às relações homossexuais de seus habitantes ou a perversidade de seus habitantes. O que se tem certeza é que Deus ficou irritado e decidiu matar todo mundo de lá. Mas justiça seja feita: os habitantes e Sodoma deveriam saber que não se pode desperdiçar o sêmen.
  3. O Massacre dos Primogênitos: como forma de castigar os egípcios pela escravidão dos hebreus, Deus mandou que seus anjos descessem à Terra e matassem todas os primogênitos das casas cuja porta não estivesse marcada com sangue de cordeiro.

Esta lista de mortes atribuídas a Deus, com 2.391.421 de óbitos, é detalhada o suficiente para deixar qualquer um que ainda não a conheça de queixo caído. Ainda mais se comparada com a lista de mortes causadas pelo Diabo, onde só constam 10.

Tsc tsc… nem as atitudes do próprio Deus, egoísta e mesquinho, são dignas de aprovação.

“Os tempos mudaram”, alguém pode dizer.

É claro que mudaram. Mas quando o próprio Deus declara que “Não matarás”, mas extermina 2.391.421 pessoas, numa época em que isso era quase a totalidade de habitantes do planeta, algo está incongruente.

Ou seja, está claro, com os exemplos dados acima e com a análise daqueles três dilemas morais, que nossa moralidade não é bíblica. Ela vem de algum lugar sim, talvez anterior a nós enquanto humanidade, mas sua origem não é religiosa.


Referência

Grande Abóbora

Biólogo, Ateu e falador. Esse vídeo também trata do assunto, veja:


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