INSANIDADE COLETIVA: Milagre do Sol de Fátima - Portugal

segunda-feira, 29 de março de 2010

Milagre do Sol de Fátima - Portugal

O chamado Milagre do Sol foi um fenômeno testemunhado por cerca de 50 mil pessoas em 13 de outubro de 1917 nos campos de Cova da Iria, perto de Fátima, Portugal. As estimativas do tamanho da multidão variam de "trinta a quarenta mil" por Avelino de Almeida, escrevendo para o jornal português O Século, a cem mil, segundo estimativa de José de Almeida Garrett, professor de ciências naturais na Universidade de Coimbra. Ambos presenciaram o fenómeno.

As crianças haviam relatado em datas anteriores que Nossa Senhora tinha prometido um milagre para o meio-dia de 13 de Outubro, na Iria de Cova, "de modo que todos pudessem acreditar."


De acordo com muitas indicações das testemunhas, por exemplo o avô materno de Fátima Magalhães, entre muitos outros, após uma chuva torrencial, as nuvens desmancharam-se no firmamento e o Sol apareceu como um disco opaco, girando no céu. Algumas afirmaram que não se tratava do Sol, mas de um disco em proporções solares, semelhante à lua. Disse-se ser significativamente menos brilhante do que o normal, acompanhado de luzes multicoloridas, que se reflectiram na paisagem, nas pessoas e nas nuvens circunvizinhas. Foi relatado que o pretenso Sol se teria movido com um padrão de ziguezague, assustando muitos daqueles que o presenciaram, que pensaram ser o fim do mundo. Muitas testemunhas relataram que a terra e as roupas previamente molhadas ficaram completamente secas, num curto intervalo de tempo.

De acordo com relatórios das testemunhas, o Milagre do Sol durou aproximadamente dez minutos. As três crianças, relataram terem observado Jesus, a Virgem Maria, e São José abençoando as pessoas dentro ou junto do Sol. Outras testemunhas afirmaram ter visto vultos de configuração humana dentro do Sol quando este desceu.

Avaliação crítica do evento

Durante o dia do fenómeno, não foi reportada nenhuma observação científica extraordinária do Sol em observatórios.

O facto de o pretenso milagre ser anunciado antecipadamente, o abrupto início e final do evento sobre o Sol, a natureza diversa dos observadores, que incluía crentes e descrentes e o grande número de pessoas presentes põem uma barreira à hipótese de alucinação em massa. A actividade do Sol reportada, visível a pessoas a 18 quilómetros de distância do lugar, põe uma barreira à hipótese de histeria em massa.

Tentou explicar-se o pretenso milagre com base em fenómenos naturais, Entretanto, o facto inegável da predição de que ia ocorrer em determinada data põe a explicação natural em causa.

Schwebel considera que o fenómeno foi extra-sensorial e supernatural. Este autor afirma que o fenómeno não é único, conhecendo-se vários casos de religiosos que reportaram a visão de luzes brilhantes no céu.

Stanley L. Jaki, beneditino e autor de livros que tentam conciliar a ciência e o catolicismo, propôs uma teoria para o milagre. Para ele, o fenómeno pode ter sido meteorológico em natureza, mas o facto de ter ocorrido no exacto tempo prenunciado é um milagre.

Uma explicação que tem vindo a ganhar cada vez mais consistência e que procura conciliar os testemunhos da época, a ciência e o que actualmente se conhece sobre fenómenos similares ocorridos noutros locais, é a de que o Sol que as testemunhas afirmaram ter visto a rodar e a dançar não era realmente o Sol, mas um objecto voador não identificado (ovni) que obscureceu o verdadeiro Sol através de nuvens artificiais ou não e se sobrepôs a ele.

O evento foi oficialmente aceite como um milagre pela Igreja Católica em 13 de outubro de 1930. Em 13 de outubro de 1951, o cardeal Tedeschini afirma que, em 30 de outubro, 31 de outubro e 1 de novembro e 8 de novembro, o papa Pio XII presenciou um milagre semelhante nos jardins do Vaticano.

O facto de não poder ter sido o Sol a mover-se devido às trágicas consequências para todo o sistema solar põe em causa a interpretação tradicionalmente aceite daquilo que os milhares de testemunhas presenciaram no local onde o fenómeno ocorreu.


[…] nenhum testemunho é suficiente para demonstrar um milagre, a não ser que o testemunho seja de natureza tal que a sua falsidade seja mais milagrosa do que o facto que tenta demonstrar.
David Hume, «Dos Milagres» (1748)

[Usarei] esta ideia de Hume no que diz respeito a um dos milagres melhor atestados de todos os tempos, um milagre que se afirma ter sido presenciado por 70 000 pessoas e recordado por algumas delas ainda vivas. Trata-se da aparição de Nossa Senhora de Fátima. Vou citar um website católico que refere que, das muitas aparições da Virgem Maria, esta é rara porque é oficialmente reconhecida pelo Vaticano:

A 13 de Outubro de 1917 estavam mais de 70 000 pessoas reunidas na Cova da Iria, em Fátima, Portugal. Tinham vindo presenciar um milagre que tinha sido anunciado pela Virgem Maria a três jovens visionários: Lúcia dos Santos e os seus dois primos, Jacinta e Francisco Marto […] Pouco depois do meio-dia, a Nossa Senhora apareceu aos três visionários. Quando estava prestes a partir, apontou para o Sol. Lúcia repetiu o gesto, emocionada, e as pessoas olharam para o céu […] Depois, uma onda de terror varreu a multidão porque o Sol parecia romper-se dos céus e esmagar as pessoas horrorizadas […] Justamente quando parecia que a bola de fogo iria cair e destruí-los, o milagre parou e o Sol reassumiu o seu lugar normal, brilhando pacífico como nunca.

Se o milagre do Sol em movimento tivesse sido observado apenas por Lúcia (a jovem que no fundo foi responsável pelo culto de Fátima), não haveria muita gente que o levasse a sério. Poderia facilmente ser uma alucinação individual ou uma mentira com motivos óbvios. O que impressiona são as 70 000 testemunhas. Será que 70 000 pessoas podem ser simultaneamente vítimas da mesma alucinação? Ou conspirar numa mesma mentira? Ou, se nunca houve 70 000 testemunhas, poderia o repórter do acontecimento safar-se ao inventar tanta gente?

Apliquemos o critério de Hume. Por um lado, é-nos pedido que acreditemos numa alucinação em massa, num artifício de luz ou numa mentira colectiva envolvendo 70 000 pessoas. Isto é reconhecidamente improvável, mas é menos improvável do que a alternativa: que o Sol realmente se moveu. O Sol que estava sobre Fátima não era, afinal, um Sol privado: era o mesmo Sol que aquecia todos os outros milhões de pessoas no lado do planeta em que era dia. Se o Sol se moveu de facto, mas o acontecimento só foi visto pelas pessoas de Fátima, então teria de se ter dado um milagre ainda mais notável: teria de ter sido encenada uma ilusão de não-movimento relativamente a todos os milhões de testemunhas que não estavam em Fátima. E isso se ignorarmos o facto de que, se o Sol se tivesse realmente deslocado à velocidade referida, o sistema solar se teria desintegrado. Não temos alternativa senão a de seguir Hume, escolher a menos miraculosa das alternativas disponíveis e concluir, contrariamente à doutrina oficial do Vaticano, que o milagre de Fátima nunca aconteceu. Além disso, não é de todo claro que nos caiba a nós explicar como é que aquelas 70 000 testemunhas foram enganadas.

Richard Dawkins


E pra você? Extraterrestres, Milagre ou Insanidade coletiva?

Fonte: Wikipédia

8 comentários:

Helena disse...

Para mim a explicação mais simples e obvia é a correcta.

Se foi previsto que tal milagre acontecia, aconteceu e foi testemunhado, então é porque realmente foi um milagre.

A partir dai ... o resto é conversa ...

Darlisson disse...

Helena, o sol 'dançando' no céu é algo que realmente pode ser admitido? O astro-rei sai de seu posto sem que mais ninguém no mundo o tenha visto, somente os religiosos de Fátima?

Ilídio Barros disse...

Darlisson,

Parabéns pela forma imparcial com que analisou esta temática que é a do Milagre do "Sol" de 1917.

Um abraço.

Darlisson disse...

Ilídio,

valeu pelo comentário.

Anônimo disse...

1- caro Darlisson, eu acredito no milagre de fátima. Algo aconteceu naquele dia, foram milhares que testemunharam o evento previsto por três crianças. Aquilo não foi alucinação geral, senão todos teriam visto coisas diferentes.


2- Não sei se já tem conhecimento de um novo suposto alegado de Fátima, ocorrido a 13 de Maio de 2011 - muitos crentes, que estavam a celebrar as aparições, observavam um vídeo sobre João Paulo II recém-beatificado e não é que apareceu no céu... um fenómeno atmosférico que parecia tomar a forma duma auréola. Meu amigo, não estou a mentir-lhe. Consulte que até existem fotos disponíveis.
Veja este site (o fenomeno foi fotografado):

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5127465-EI6580,00.html

Eu respeito o seu cepticismo em relação à religião, mas não acha isto demasiada coincidencia? Eu não. Desta vez este milagre foi testemunhado por 200 000. Fantástico não?

Anônimo disse...

errata:

2- Não sei se já tem conhecimento de um novo suposto MILAGRE de Fátima (...)

Ilídio Barros disse...

Anônimo,

"Não sei se já tem conhecimento de um novo suposto MILAGRE de Fátima"

Diga-se em abono da verdade que este halo solar pôde ser observado no dia anterior e posterior ao do dia 13, agora se me perguntar, não poderia este fenómeno ser um sinal de Deus, poder podia não temos é forma de o provar. O que é que lhe diz a sua intuição?

Um abraço.

Darlisson disse...

"- Mesmo que seja um fenômeno natural é muita coincidência - ressaltou o professor húngaro Rodrigo Zohrning."

Ora, meu amigo, um fenômeno natural é natural. O que causou tal auréola? Não sei, não sou entendedor de tal assunto, mas, o que quer que tenha sido, para mim, não é nada sobrenatural, extraordinário ou demasiadamento escandaloso como vem sido tratado.

Um milagre?
Quem se daria ao trabalho de colorir o sol enquanto milhões de pessoas morrem de fome no mundo?

Coincidência?
Ora, basta apenas CO-INCIDIR. Tal qual a 'SORTE' que não passa de coincidências de eventos, e não se trata de alguém ocupado em tentar fazer-lhe uma pessoa 'pé-quente'.